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03/06/2004 13:04
Dias de guerra
Levantai-vos. Deixai o sepulcro vazio
e enchei os corpos da alma,
correi sem rumo, cessai o medo,
as incertezas e as desesperanças.
Vigiai os próprios passos
e também os passos adversos,
deixai o sono para os fracos
e descansai de olhos bem abertos,
pois os desatentos serão surpresos.
Não vos desesperais.
Vós que tantos males hão de ver,
aleivosias hão de ouvir
e tantas dores hão de sentir,
deveis preparar a mente aos ouvidos,
o coração aos olhos
e o corpo aos martírios.
Um momento pode ser um segundo,
pode ser uma hora, ou,
pode ser a vida toda. Por isso,
não deixai para depois
o que pode hoje ser feito.
Hoje talvez seja cedo, mas amanhã,
pode ser tarde demais.
Se um de vós defrontar com um inimigo,
enfrentai-o, porém, se um de vós
defrontar com mil inimigos,
escondei, até que possas chamar
por outros mil amigos.
Vós homens sois feitos de
corpo, mente e alma,
se o corpo falha, a mente monta um plano;
se a mente falha, o corpo parte para o combate;
entretanto, se a alma falha,
é porque o corpo e a mente já não prestam!
Instrui-vos nas vossas falhas,
alimentai sempre o vosso corpo
para que a vossa alma não vos deixe perecer.
enviada por O Poet@
29/05/2004 02:27
Olhares, sorrisos, o passado;
confundem-me, iludem-me
e me esbofeteam.
Quero dar a cara
e tenho medos dos tapas,
mas quero tentar o beijo.
Qualquer palavra me retrai,
segredos que incomodam
e eu sofro,
talvez em vão, mas sofro.
Venha o que vier,
pois um passo meu
pode me denunciar,
mas será
que não é isso que quero?
enviada por O Poet@
20/05/2004 13:18
Reverências
Hoje a mansidão dos ares acalenta-me.
Regozijo-me e reverencio
ao passo que vejo novos brotos
que vêm viventar à mãe estéril.
Quão belo é olhar num pasto
onde os estrepes são exorbitantes
e nele notar uma única rosa silvestre
ferrenha, buscando nada mais
do que fazer valer a pena
volver os olhos àquela paisagem.
Quando se acendem os luzeiros do céu
vejo sobre mim uma beleza incontestável
que o próprio astro fúlgido do dia
incapacita-se de manifestá-la.
Entre contentamentos e lástimas,
-nas mais das vezes lástimas-
vejo a sabedoria extraviar-se,
os sorrisos maquinarem-se
e os olhares persuadirem para todos os efeitos.
Este que entre tudo é o mais virtuoso,
é também o mais abominável.
enviada por O Poet@
11/05/2004 13:19
Soneto a um amigo
Tu és o amigo que preservo cauteloso
por entre as sombras, contigo vou corajoso,
a marcha é curta diante às nossas prosas
usando o tempo, as horas passam vagarosas.
No meu olhar tu vês a minha alma
e que agitada, os teus olhos acalma,
e se covarde, deixo aflorar minha fraqueza
tu repreendes, fielmente com franqueza.
Tu és amigo, o farol nos meus dias escuros
o meu cúmplice de segredos e amores,
o parceiro entre as quedas e esplendores.
Juntos seguimos de fronte erguida
e o caminho, não se resume em veredas
por ti, sem hesitar, até me atiro em labaredas!
enviada por O Poet@
07/05/2004 12:59
Além de ti
Além de ti
está o além,
distante de nós
perto de ninguém.
Além de ti
estou eu
e mais nada.
Apenas vou,
voando e
deixando pegada.
Além de ti,
um harém
e um aréu.
Foi o amor
que fez o céu,
que te fez
e me fez réu.
Até ti
eu bem sei,
nos confins
palpitei;
e atrás do além
vou só,
que assim seja;
amém.
enviada por O Poet@
29/04/2004 12:43
O homem do tempo
Não há razão!
Sou para não ser.
Tudo é o tempo
e é dele que sou.
Não é ele quem passa,
leva-me
deixa-me,
mas não no tempo,
e sim num passado
que não é tempo,
que não é vento
e nem momento,
que não é nada.
Ser ou não ser?
Eis a questão...
Sou e não serei,
eis a minha razão,
eis a dúvida
e eis o tudo
que me leva a ver
adiante,
e lá, para o instante
que não foi
o que outrora busquei ver,
e aquela hora
ficou,
parou
e nela fui,
pensando agora
o que eu seria,
e sou
não aquilo que vi
lá atrás (ontem),
mas aquilo que faço
neste tempo, presente.
E aquilo que ficou?
É história,
é tempo ausente
que não é tempo,
que é foto, palavra,
letra e poesia;
é fato, narrado,
escrito, parado;
fui tudo o que foi
e mesmo que pareça,
nada mais sou
daquilo que se foi.
Não o sou,
não o fui,
mas o pertenço.
enviada por O Poet@
20/04/2004 12:59
À espera do arco-íris
Descompassados
Dispersos, são míopes!
Tendências obtusas
vadiando
visitando
residindo;
nos becos
nos infernos
naquilo que buscam ver.
Imaginam
inventam
e se destroem,
na fumaça
no incerto
no longínquo.
Precipitam-se
nas nuvens carregadas,
choram
e rastejam
com as lágrimas da chuva,
escorrem aos esgotos
esquecendo-se
que após o pranto dos céus
num sorriso
abre-se o arco-íris.
enviada por O Poet@
13/04/2004 14:05
Ouro, riqueza da natureza
Encontrei ouro! Que natureza bela,
Agora estou totalmente feito
Não moro mais na favela!
Agora vou viajar pelo imenso mundo
Vou para todos os lugares
E posso fazer num segundo.
Vou comprar navios, novos carrões
Mais empresas, petróleo
E muitos casarões...
Essa poesia foi feita pelo meu irmãozinho de 10 anos!!!
enviada por O Poet@
09/04/2004 14:59
Jesus Nazareno, Rei dos judeus
Não, a este não!
Mas a Barrabás!
Crucifica-o! Crucifica-o!
Os pregos ao Teu punho
deveriam ser aos nossos,
deveríamos nós,
ter nossos ternos rasgados
e as nossas cabeças que deveriam
ser adornadas por espinhos.
Mãos que aos ramos sacudiram,
adiante apontaram para a cruz;
morreste feito pobre e bandido
e tão ferido é o próprio amor:
...Pai, perdoa-lhes,
pois não sabem o que fazem.
Foste traído com um beijo
e por Pedro, três vezes negado;
e tu lhes deste absolvição.
Tu que um dia disseste:
...deveis perdoar
setenta vezes sete...
e nós que dessas fizemos
as vezes que te traímos
e também te negamos.
Tu que és o único Rei,
morreste e venceste
por nós a morte,
tiveste em tua lápide ironizado:
Jesus Nazareno, Rei dos Judeus.
enviada por O Poet@
08/04/2004 13:04
Mártir do passado
Dias de outrora,
cada instante, cada hora
que recordo agora
antes que estes
também vão embora.
Eis que busco nas andanças,
no trilhar das lembranças,
tantos sonhos e esperanças
todos selados e adormecidos
na inocência das crianças.
Problemas não solvidos,
noutrora ilusórios,
agora híspidos e vividos.
E eu que não abrira os ouvidos
vejo meus olhos volvidos
aos passos de ontem
que hoje se vão despidos.
Sou um mártir do passado
(presente, vivo e descompassado).
Agora o que me dói é ter chorado
nas mais das vezes exacerbado.
O pior são as feridas não reais
pelas quais fiquei estigmatizado
por não as ter vivido
mas sim, por tê-las evitado.
enviada por O Poet@
05/04/2004 15:37
Se eu fosse Deus
Se eu fosse Deus
ao menos por um dia
a ambição me tentaria
desde os justos aos ateus.
Se eu fosse Deus...
e pudesse escolher
eu seria como este,
rei na justiça
e em tudo que fizeste.
enviada por O Poet@
26/03/2004 08:09
Não mais se vive a vida,
cada qual quer ter mais delas.
Não mais existe a busca do amor
quando o próprio terror é capital de prazeres.
Não mais se faz abstinência,
pois deixam que muitos a vivam
muito mais que quarenta dias.
Não mais se educa uma criança,
ela é programada.
Não mais cultivam uma amizade,
dela só absorvem o que convém.
Não mais deixam que a água aumente,
pois a tornaram escassa
para ser um bem comerciável.
Não existem mais os heróis,
aqueles que tentaram travaram na história
e os que o tentam,
são travados antes mesmo de entrar nela.
E já não pensam em um só Deus,
quando muitos tentam tomar o Seu lugar...
enviada por O Poet@
25/03/2004 09:06
Simplicidade
É muito estranho:
Preferir chorar ao ver outros chorando,
preferir sofrer ao ver outros sofrendo,
preferir morrer ao ver outros morrendo.
É complicado:
Tentar sorrir quando os lábios se fecham,
tentar gritar quando a voz se cala,
tentar correr quando as pernas não andam.
É impossível:
Amar e sempre ser amado,
pedir e sempre ser atendido,
vencer sem antes ter perdido.
É diferente:
Ter vida e viver todos os dias,
ter paz e transmitir a harmonia,
ter dinheiro e buscar sempre alegria.
É melhor:
Ser amigo do que ter vários deles,
ser autêntico e discreto do que uma cópia popular,
ser uma onda serena do que a fúria do mar.
É perfeito:
Amar sempre com Deus no coração,
perdoar sem esperar sempre o perdão,
morrer, se fez da vida o maior dom.
enviada por O Poet@
18/03/2004 08:14
Conspirações
Quão submisso és tu coração!
Devera eu ter olhos ínvios?
Tu te dás ao cosmos em oblação
e sangras aos olhares ímpios.
Farsa, luxúria e cobiça
congregam-se a afleumar
e atacam. Tu, que por isso choras,
fecha-te, tu hás de te avigorar.
Devassos criam a prole como o são
e é onde uma pura amargura
tu vais choroso a encontrar.
Obstruíram todo o teu penhor
e ainda gozaram. Pobre de ti,
que és ainda uma criança
estás a levar contigo tanta dor.
Tu que choras um dia sorrirás
e estarás no ponto mais alto,
no sublime dos céus tu residirás.
Tu és um bem-aventurado
pois zelas a plenitude da paz;
por teu Pai, tu hás de ser lembrado!
Tão soberbos e tão cegos,
de nada vale a resposta dos homens
pois o esperado vem após o fim.
enviada por O Poet@
12/03/2004 08:07
Extra-Alcances
Todo mistério é o tempo,
é a paixão que é vento
e sopra adiante e finda.
Soprando aumento
vivendo o pós-vinda
o mistério que é tempo.
Todo passo é concreto
e cada instante é cimento
que aglutina o secreto
ao prévio momento.
Brilhei e passou brilho
o que não fez, faz-se por si
e talvez se faça empecilho.
Há de se ter cuidado!
Seus transes são pirados.
Haja o que houver
tem dons aglomerados,
venha o que vier
protejam-se ao seu lado,
ao seu conjunto bem criado
mistério perfeito. Mulher.
Nem olhos, nem mente,
nem coração, nem gente;
não se pula o muro
não atrasa, não adianta
noutro lado se chega
palmilhando no escuro.
enviada por O Poet@
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